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06/07/2012

Especial consultores | José Jorge Teixeira Churro

“A engenharia brasileira ressurge”

Há apenas quatro anos na Chemtech, o consultor José Jorge Teixeira Churro coleciona experiências marcantes, tanto na empresa quanto em sua carreira. Conselheiro do Clube de Engenharia desde 1988, Churro enaltece o bom momento da engenharia no Brasil, mas não sem antes lamentar os aproximadamente 20 anos de ostracismo do setor no país. “A engenharia brasileira, após 20 anos de emagrecimento forçado, até quase o desaparecimento, volta , ressurge”, comenta.

Entre os projetos desenvolvidos na Chemtech estão Comperj, Snox e projeto Premium, tendo sido este último eleito o de maior relevância em sua trajetória. O projeto rende muito orgulho a todos os jovens chemtecheanos que nele trabalharam, mas até para o experiente consultor é um marco: “Tivemos o prazer de ver a Petrobras tomar documentos nossos como padrões para todo o projeto da Premium. Não conheci caso similar nos meus muitos anos de atuação”, ressalta.

Para Churro, toda essa conquista nos faz lembrar que ainda há muito trabalho pela frente. “Isto nos obriga a um esforço maior, no sentido de melhorar ainda mais, a cada dia e a cada projeto”, finaliza. A seguir, os destaques da entrevista.

Chemtech: Há quanto tempo trabalha na Chemtech?
José Churro: Há quatro anos.

CHT: Em quais projetos já atuou e em que atividades?
JC: Comperj, Snox, Fafen III e Refinarias Premium (em todas como consultor).

CHT: Qual projeto foi mais marcante, na sua visão?
JC: Refinarias Premium, sem dúvida. O reconhecimento da qualidade do nosso trabalho nos mostra o caminho correto. Tivemos o prazer de ver a Petrobras tomar documentos nossos como padrões para todo o projeto da Premium. Não conheci caso similar nos meus muitos anos de atuação aqui e fora do Brasil. Mas, isto nos obriga a um esforço maior, no sentido de melhorar ainda mais, a cada dia e a cada projeto.

CHT: Você é também conselheiro do Clube de Engenharia. Desde quando exerce a atividade e como é essa experiência?
JC: Desde 1988 sou conselheiro de Clube de Engenharia, tendo sido diretor na Gestão 1991-94. Antes disso, dirigi a Divisão Técnica Especializada de Engenharia Econômica. O Clube de Engenharia é para ser o órgão representativo da engenharia e dos engenheiros, sem ser atrelado a governos ou a partidos. Podemos destacar, nos últimos anos, a ação judicial que derrubou o 8º Leilão de Áreas de Petróleo da ANP (o Clube impetrou uma ação na justiça contra a ANP e conseguiu barrar o Leilão) e a ação política junto ao Ministério do Trabalho, que impediu a importação de – pasmem com o número – 600 engenheiros e técnicos chineses que viriam executar a obra da Coqueria da Cia. Siderúrgica do Atlântico, em Itaguaí, garantindo, assim, muitos empregos para brasileiros qualificados. Considero que todos deveríamos nos associar ao Clube de Engenharia, de forma a poder influir no futuro da engenharia no Brasil.

CHT: Recentemente, você se posicionou, junto ao Clube de Engenharia, contra a partilha dos royalties do petróleo. Qual sua visão sobre a questão?
JC: Minha posição é de que esta questão tem duas vertentes: é um ato político, visando desviar atenções da discussão principal, que é impedir que o petróleo do pré-sal seja leiloado e exportado totalmente; e é um ato de rapina, pois todos os produtos no Brasil pagam ICMS na origem, menos o petróleo. Quem são os prejudicados? Os estados produtores. E os royalties são usados como compensação, pois a produção de petróleo é um bem e é um mal para os produtores. Existe uma expressão que deixa isto bem claro – “doença holandesa”. A Holanda tinha uma indústria sofisticada e diversificada, até a descoberta de petróleo e gás. Com o “dinheiro fácil” do petróleo entrando, o câmbio mudou, com a moeda sendo apreciada em relação ao dólar. O país perdeu competitividade, a maioria das indústrias fechou ou se tornou obsoleta, as atividades de engenharia minguaram e o país passou a exportador de commodities. A questão do petróleo tem que ser muito discutida para não enveredarmos pelo caminho holandês e vermos, como lá aconteceu, as indústrias todas serem sucateadas, o desemprego crescer e o petróleo acabar.

CHT: Como é o trabalho da equipe de instrumentação na Chemtech?
JC: É uma equipe nova de idade, mas que tem gana de apreender. Aliás, a Chemtech se caracteriza por formar capital humano, enquanto a maioria das empresas só quer o “produto pronto”. Os desafios são muitos, mas a cada projeto temos melhorado. Há agora que acertar deficiências específicas em alguns campos e capacitar o grupo todo para que o nosso trabalho seja reconhecido como de nível ÓTIMO.

CHT: O que a Chemtech representa na sua carreira?
JC: Representa uma oportunidade única, de encontrar uma equipe jovem, disposta, em uma época em que a engenharia brasileira, após 20 anos de emagrecimento forçado, até quase o desaparecimento, volta , ressurge. Para termos ideia, participei de 1988 até 1991 do projeto de ampliação do Copene (depois vendido para a Braskem), que na época era o maior do Brasil. Outro igual, só Rnest, Comperj e Premium, todos elaborados pela Chemtech. São 20 anos sem empreendimentos e sem obra. Assim, a engenharia morre. Estamos tendo a oportunidade de fazer renascer a engenharia no país, quase que com uma respiração boca a boca.

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